
Acho que foi o Juras, do Cinema com Rapadura, que disse: “Kung Fu Panda é diversão, Wall-E é cinema”. Nenhuma frase traduz melhor a diferença entre os dois grandes estúdios de animação: Dreamworks e Pixar, respectivamente. Mas não vamos entrar na discussão de qual estúdio é melhor. Para isso, ouça os Rapaduracast 31 e 53. A idéia aqui é ser direto, então vamos ao foco: Wall-E é um dos melhores filmes desse ano, que é um dos melhores e mais profícuos anos para o cinema de entretenimento. Vai lá e assiste!

Os caras da Pixar confiaram tanto no taco que arriscaram não colocar nenhum diálogo na primeira metade da animação. Meu cunhadinho de oito anos chegou, nos primeiros minutos, a dizer que estava chato, mas não demorou muito para ele ficar totalmente maravilhado e dar boas gargalhadas com as peripécias do robozinho. Ele teria se divertido mais com Kung Fu Panda? Talvez. Mas é justamente aí que está o brilhantismo de Wall-E: ele é inesquecível, vai marcar a memória, e não precisou de humor galhofa para arebatar a atenção e a emoção da platéia.

A trilha sonora, então, é de soltar suspiros. Além da trilha propriamente dita, composta por Thomas Newman (filho de Alfred Newman, compositor renomado), canções como Put On Your Sunday Clothes e It Only Takes a Moment, ambas interpretadas por Michael Crawford, contribuem para o clima clássico da animação. Aliás, o filme que o robozinho Wall-E adora é Hello, Dolly, de 1969, cuja direção é de ninguém menos que Gene Kelly, e que é estrelado por Barbra Streisand (sim, aquela é ela!) e nosso eterno, rabugento e saudoso Sr Wilson, Walter Matthau. O filme contava ainda com o próprio Michael Crawford, que interpreta as canções.
Wall-E conta ainda com La vie em Rose, de Edith Piaf, interpretada pelo mágico Louis Armstrong (você pode não reconhece-la pelo nome, mas com certeza já ouviu essa canção), além de Peter Gabriel em Down To Earth, canção que fecha magistralmente o filme. Ou seja, um deleite à parte. O disco com a trilha sonora tem nada menos que 38 canções. Vale à pena!

O personagem principal, Wall-E (sigla de Waste Allocation Load Lifter Earth-Class, ou Elevador de Detritos Classe Terra) é extremamente fofo, como diria Fabio Yabu. Impossível não ama-lo já nos primeiros minutos de filme. O robozinho tem reações e sentimentos humanos que se amplificam na solidão em que vive. Mesmo a EVA, robô mais moderno a quem Wall-E se apaixona, possui sentimentos perceptíveis, apesar de nenhuma feição. Os criadores foram geniais ao desenhar as linhas tristes dos olhos de Wall-E e ao fazê-lo tremer quando está com medo. Mas não podemos deixar de citar que há, pelo menos, duas fontes em que se tarantinearam inspiraram: E.T. e Johnny 5. Dê uma olhada:
E.T., de 1982
Johnny 5, de Short Circuit, 1986
Sobre o enredo do filme podemos dizer que ele consegue ser belo sem ser chato, divertido sem ser galhofa e ecologicamente correto sem ser pedante. Não vou além disso para não perder a graça. Mas fica a dica para uma experiência interessante. Se cogitaram Ratatouille para o Oscar de Melhor Filme, Wall-E não pode ficar de fora. O problema vai ser concorrer com tanta coisa boa lançada esse ano. Quero dizer, boa no sentido nerd da coisa ;)
Um bom filme para voc-Ê!



Primeiro! Primeiro no post e primeiro no blog, esse é histórico.
Parabéns Marcelo pela nova empreitada (só vc que escreve?). E começou muito bem: Wall-E é foda.
O filme é realmente genial. Se não for recomendado para o Oscar, não sei qual vai ser…
Boa sorte com o site.