Arquivos na categoria ‘Quarta Crônica’

QUARTA CRÔNICA – BJUS, ME ADD!


Já faz algum tempo conheci o site Jovem Nerd. Gostei da proposta, adorei o conteúdo e resolvi escrever um texto para uma das seções. Assim mesmo, inadvertidamente, de graça, sem conhecer os caras, nem ter sido convidado. O texto era o Casting Nerd – Celebridades Mutantes.

Era uma brincadeira com as celebridades e seus “superpoderes”. Eles curtiram, publicaram e, desde então, peguei gosto pela coisa. Em conjunto com eles escrevi os castings Elit Squad (e se Tropa de Elite fosse refilmado em Hollywood?), Crônicas de Arthur (como seria a adaptação da trilogia de Bernard Cornwell para os cinemas?), Nerdcast: O Filme (como seria o filme do Nerdcast), God of War (quem seriam os atores da adaptação cinematográfica do game mais modafoca dos últimos tempos?), Blogueiros: A Série (quem viveria nossos blogueiros preferidos numa sitcom divertida?), Jonny Quest (a adaptação live action do saudoso desenho de Bandit) e Porky’s Remake (uma refilmagem da clássica comédia dos anos oitenta).

É claro que não ganhei nenhum dinheiro com isso. Ganhei links para o meu antigo blog e um link permanente para o Cumê. Ganhei reconhecimento também. Ganhei um espaço num site de imenso trágego, o que é alguma coisa. Mas, sinceramente, o que me seduz mesmo é o fato de eu pertencer a um grupo, de ser aceito por ele. E nisso, amigo, eu sou igualzinho a você.

Todo mundo tem uma inabalável necessidade de pertencer a um grupo, de ter uma identidade. Você torce para o Corínthians? Para o São Paulo? Para o Flamengo? Então você pertence ao grupo de torcedores desses clubes. Ah, você não torce para ninguém? Odeia futebol? Então você pertence ao grupo dos que não ligam para futebol e aposto que você adora dizer isso.

Você tem um partido político? Um hobby? Uma religião? Um artista, um programa de tevê, um estilo musical preferido? É batata: você sempre procurará uma identidade, inexoravelmente.

E não há nenhum mal nisso. Pelo contrário. Tive um professor na licenciatura, tão maluco quanto genial, chamado Elie Ghanem, que sempre dizia: “pertencer a uma panelinha é bom!”. Diferente do que se poderia pensar, isso não é um fato limitador. “Mas é importante pertencer a várias”. Ou seja, tenha e mantenha uma identidade, mas nunca feche a porta para novas possibilidades.

Eu sigo isso como um lema. Nesse momento, estou me dedicando a ser um blogueiro decente, para que você adicione o Cumê no seu “favoritos” aí. Isso leva tempo e demanda esforço, mas é a minha identidade hoje. Quero estar também nessa panelinha chamada Blogosfera. Se todo homem deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, eu quero participar de um Nerdcast, tomar café na padoca com o Fabio Yabu e jogar Wii com a Meriga e o Baunilho. Desejem-me sorte.

É isso. Bjus, me add!

O BRASIL TORTO

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Nesta terça-feira, 19 de agosto, o Brasil perdeu da Argentina na semi-final do torneio olímpico de futebol masculino. Normal, não?! São duas seleções importantes no cenário mundial e uma vitória cá ou lá seria perfeitamente crível. Afinal, clássico é clássico e vice-versa (!). Perder de três a zero também é normal. Conseguimos um placar igual ou parecido nos últimos jogos contra os hermanos. Então, amigo, qual o motivo da revolta que tomou conta de boa parte do país nesta terça? Eu respondo: o Brasil torto.

Alguém mais reparou na forma como nosso técnico-anão usa o crachá olímpico?! Torto. Ele enfia o braço esquerdo no cordão onde deveria entrar somente o pescoço e o crachá acaba ficando sob a axila. Isso não me surpreende, até porque desde o início Dunga se mostrou um fanfarrão. Era camisa-pijama para cá, gola rolé para lá, e competência que é bom, nada. Mas esse é o retrato da seleção brasileira hoje. É um time deslocado. Torto como o crachá do Dunga.

A começar pelo técnico. Como diria Flávio Prado, seleção brasileira não é jardim de infância para técnicos. Você já viu alguém passar de operário a gerente de alguma empresa, do dia para a noite? Por mais qualidade que tenha, não tem experiência no cargo, não ocupa. Com a seleção deveria ser a mesma coisa. Mas como estamos à mercê de Ricardo Corleoni, vale o que ele quer. E, nós sabemos, o que ele quer é um boneco, um joguete, que possa ser manipulado de acordo com os milionários interesses dele. Dunga serve muito bem ao propósito. Assim como Zagallo serviu. Assim como Parreira serviu. Felipão foi uma exceção, apagou um fogo, era a voz do povo e teve de ser o técnico. Mas não ficou, justamente por não estar em sintonia com este conto da carochinha tupiniquim.

 

Depois veio a convocação de Ronaldinho Gorducho. Há quatro meses parado. Dunga até tentou ser coerente, não iria convocar. Mas aí veio a ordem do poderoso chefão, por meio da imprensa, e pronto: Ronaldinho convocado. Dunga aceitou, Ronaldinho veio, não jogou nada. Parecia o tiozão do churrasco, parado em campo. Seleção brasileira é para os fortes. Não para um solteiros versus casados de quinta-feira.

Aí vieram os primeiros jogos, que ganhamos. Jogamos praticamente contra o vento. Foram jogos fracos, onde tivemos de contar com a qualidade individual dos jogadores, aliás, como de costume. Foi pegar uma seleção de verdade e a verdade apareceu. Dunga montou um time medroso, com três volantes e marcação individual no Messi e no Riquelme. UM atacante, Rafael Sobis. UM armador, Diego. E um poste, a estrela do patrocinador, chamado Gaúcho. Queria fazer gol de que jeito?! Agora, me diz: isso lá é seleção brasileira?! Medo da Argentina?! Pelo amor dos meus filhinhos… Seleção de verdade impõe seu talento, joga para cima. O que vimos foi a Argentina comandar o jogo e a derrota era uma questão de tempo.

Maradona vidrado no jogo (e mostrando que macho que é macho usa o crachá no pescoço, p$#@).

O Brasil está torto, deslocado. Seja no crachá do Dunga, seja num ataque de uma pessoa só. O Brasil está torto e não foi por conta dos dribles de Messi. Reze pelo impossível e peça que Ricardo Corleoni tome vergonha na cara. Ou correremos o sério risco de ficar de fora da próxima Copa do Mundo. Inesperado, improvável, torto, enfim, mas cada vez mais normal.

 

PS: De bom tivemos a afirmação do lateral esquerdo da selação. Marcelo, ex-Flu, jogou muito. Teria sido melhor se Ronaldinho não atrapalhasse pela esquerda.

PS 2.: Pode ser que Dunga caia. Isso também seria bom. Mas quem seria o próximo fantoche?

PS 3: Não dá nem prá dizer que a seleção masculina jogou como mocinha, porque se tivesse jogado, tinha vencido.

Até a próxima (olimpíada?!).

QUEM É IXPERRRTO USA CUCA! OU NÃO!

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Fiquei sabendo anteontem que Renato Gaúcho não é mais o técnico do Fluminense. Bom. Sorte do Tricolor das Laranjeiras. Há quem diga que ele foi um bom técnico. Tá, pode-se dizer que ele teve uma boa carreira, if you know what i mean. Ganhou a Copa do Brasil e levou o Flu às finais da Libertadores. Mas quem entende um pouquinho que seja de Bernardinho Style liderança sabe que um fanfarrão metido a malandro não consegue comandar vinte e tantos marmanjos. Pelo menos não por muito tempo e não pelo respeito. Às vezes por pouco tempo e à base imposição ou de um toma-lá-dá-cá comportamental.

Veja o Renato na época de pegador jogador…

 Como é que o sujeito quer ser respeitado se nunca respeitou?! Vai querer que jogador não tome umas cervas se empanturrando de picanha e não saia por aí pegando qualquer ramera?! A filosofia do Gaúcho é tipo faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

 

Mas, enfim, esta é uma crônica sobre o técnico do Fluminense e Renato não o é mais. O mais novo técnico do Fluminense, ora vejam vocês, é o Cuca. Isso, esse mesmo. O Cuca que veio do Botafogo, passou umas férias em Santos e voltou para o Rio. Vamos à carreira dele: nascido Alex Stival, o paranaense Cuca teve uma boa carreira como jogador. Jogou no Grêmio e no Internacional/RS, no Santos e no Palmeiras, e chegou a atuar na Europa, no modesto Real Valladolid, da Espanha.

Como treinador acumulou passagens pelo Avaí/SC e Remo/PA, mas estourou mesmo com bons trabalhos no Paraná Clube e no Goiás, time que “livrou” do rebaixamento em 2003. Chegou a ser considerado um dos geniais técnicos da “nova safra”, mas acabou tendo passagens contestadas por São Paulo, Grêmio, Flamengo, São Caetano e Coritiba. Pegou o judiado Botafogo e até que deu uma arrumada. Mas não ganhou nada e terminou sendo chamado de “técnico do quase” por ter sido duas vezes vice-campeão do “disputaaaaado” Campeonato Carioca, perdendo para o Flamengo do Tucano. Chegou a pedir demissão em 2007, mas foi re-contratado nove dias depois (vai entender cabeça de dirigente do Fogão…).

À frente do Santos desde junho de 2008, substituindo o técnico Jumento Leão, perdeu a maioria dos jogos e deixou o time na zona de rebaixamento, não sem antes pedir demissão e ser re-contratado novamente, apenas algumas horas depois (!). Já era o seu segundo time no mesmo Campeonato Brasileiro. O Fluminense será o seu terceiro!

Agora vamos às idiossincrasias (úia!) da cartolagem brasileira: como é que um time que tinha um técnico que se achava a estrela e perdeu o comando do Dodô do time, quer resolver o problema colocando uma mãe para treinar os jogadores. Sim, porque o Cuca não é a Cuca, if you know what i mean.

Ele está mais para Gepetto, aquele velho frouxo que não põe limite no filho mentiroso. Com sua doutrina de resolver tudo na base da conversa, os tricolores vão ter muito que prosear sobre a segunda divisão. Pode copy/past aí o que eu estou dizendo. Ou não, né?! Afinal, já dizia Mauro Beting, o futebol é uma caixinha de surpresas.

Então é esperar prá ver. Esse campeonato está tão mais ou menos que a diversão mesmo estará na ponta de baixo da tabela. Faça suas apostas, amigo. Que clube grande (ou quais) cairá (ou cairão) para a segunda divisão este ano? Eu já chutei dois nessa crônica de quarta.

 

 

PS.: Sabem quem está cotado para assumir o Santos? Renato “o cara” Gaúcho. Só falta ele prometer que tira o Santos dessa! Primeiro lugar, sem desepero, torcedor santista… 

CHINA: DRAGÃO OU GAFANHOTO?

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Começam oficialmente nesta sexta-feira, 8.8.2008, os Jogos Olímpicos de Pequim, ou Beijing, como virou moda falar. Eu acho massa esses eventos gigantescos que envolvem vários países e populações inteiras sedentas por ver seus vizinhos derrotados até a humilhação total. É o exato ponto em que a natureza humana se mostra quase que totalmente autentica, sem chegar à violência da guerra. No entanto, uma coisa me assusta nestes Jogos e eu espero sinceramente não estar vaticinando o pior: a possibilidade de ataques terroristas.

 

Não porque seja a China um país oriental e, por isso, muito mais próximo dos muçulmanos radicais (de fato, o próprio islamismo também está presente no caldeirão cultural e religioso dos chineses). Bin Laden jogou aviões bem no meio da América livre, definitivamente não há distâncias para o terror. Tenho medo mais pelo que representa a China no cenário local e pela forma como seu governo e, conseqüentemente, seu povo agem.

O Partido Comunista da China controla ditatorialmente o país. Seu chefe supremo, o presidente Hu Jintao, tem plenos poderes e restringe não só a liberdade de imprensa e o uso da internet, como coibe severamente as reuniões e os manifestos populares.

Paradoxalmente, o regime vem se abrindo ao poder do capital, o que está já há algum tempo transformando um país extremamente pobre e atrasado numa das grandes potências tecnológicas e num dos mercados mais aquecidos do mundo. Ainda assim, o desrespeito a condições humanas básicas, como o direito de ir e vir, de manifestar opnião, além de violações graves dos direitos humanos, continuam a ser o caminho que o governo chinês trilha com o objetivo de manter-se no controle absoluto.

 

Há alguns anos, mesmo antes da China virar moda, um professor meu dizia que deveríamos tomar cuidado com eles. Ele previa que a China se tornaria uma grande potencia mundial e que os Estados Unidos já estavam iniciando seu declínio. Diante disso ele dizia: se nós reclamamos do imperialismo norte-americano, com sua necessidade de difundir sua cultura e seu way of life, é porque ainda não conhecemos a dominação chinesa. Quando isso acontecer, teremos saudades dos americanos. Segundo o professor, o governo chinês não se preocupa nadinha com os direitos humanos como nós os conhecemos. Nem está procurando saídas para o aquecimento global (até ai, tampouco os americanos estão).

 

Este não é um texto preconceituoso. Mas tudo isso pode ser verdade. Quem não se lembra do protesto do estudante na Praça da Paz Celestial. Veja, por exemplo, a cruel intransigencia chinesa para com o Tibet.

 

 

Observe o caso dos jornalistas japoneses que foram detidos, agredidos e humilhados apenas por estarem cobrindo o recente ataque terrorista a policiais em Xinjiang. O Japão protestou, mas o governo continua exigindo um censor em cada redação e escolta policial para quem quer fazer reportagens nas praças de Pequim. É por isso que neste mês você deverá se acostumar com frases do tipo “os oficiais locais disseram que…”, “conforme afirmou a Administração de Segurança Pública…”, pois o governo será a única fonte de informação e os repórteres e veículos de imprensa não poderão ir alem disso. No caso do ataque terrorista que deixou dezesseis poiciais mortos e dezesseis feridos no domingo, 3.8.2008, as autoridades atribuíram a autoria ao grupo muçulmano separatista de Xinjiang, que há muito critica o governo chinês. Os muçulmanos negam.

É por essas e outras que eu me sinto temeroso quanto a esses Jogos Olímpicos. Tomara que eu esteja errado. Tomara que estes sejam os maiores jogos de todos os tempos. Potencial há, visto que a China não economizou na festa e que se trata, na minha opnião, da cultura mais rica ainda ativa no mundo (até pelos seus milhões de anos). Tomara que a China se porte como o dragão exuberante e não como gafanhotos devastando culturas. Tomara que os incidentes terroristas terminem por aí, que nossos repórteres – até mesmo o Pedro Bial – consigam trabalhar em paz e que o Brasil finalmente alcance uma posição decente no quadro de medalhas. Afinal de contas, eu quero é ver os argentinos derrotados, chateados, sem vontade de cantar uma bela canção… ah, isso sim…

 

Até mais!

Marcelo Salgado 

 

COLUNISTA EM CALÇAS CURTAS

Acabo de ler uma coluna/crítica de um tal de João Pereira Coutinho na página da Folha de São Paulo (Ilustrada). O título do texto é “Adultos em Pijamas” e fala sobre o filme que você e eu acreditamos ser um dos maiores de todos os tempos. Se você é assinante UOL ou da Folha de São Paulo, pode ler o texto na íntegra aqui. Se você não é, não está perdendo nada.

Coutinho disse que assistiu a Batman: The Dark Knight e sua conclusão sobre o filme é: Batman e Coringa não passam de “dementes em pijamas que fugiram de um asilo da cidade”. O próprio título da coluna, “Adultos em Pijamas” remete a isso, mas se você arrancar uma camada dessa cebola vai perceber que ele está sacaneando a nós, inadvertidos amantes desta cultura pop que nos cerca.

Adultos em pijamas, está claro para ele, somos nós.

Coutinho começa o texto falando que nada tem contra os vigilantes. Em seguida, faz uma força incrível para colocar, num texto sobre Batman, os filmes, artistas, diretores e atores clássicos que ele considera “intelectuais”. Fala de Ingmar Bergman, Robert Bresson e Renoir como para marcar bem sua intelectualidade. Depois dá um giro sobre os ídolos pop de outrora, Clint Eastwood e Charles Bronson. Ele chega a perguntar “que será feito de Bronson”! Dá para acreditar que o cara escreve sobre cinema e não sabe que Charles Bronson subiu no telhado?!

 

 

Seguindo sua linha de pensamento (?!), Coutinho racionaliza o herói vigilante. Segundo ele, o herói deve obedecer dois requisitos básicos (só dois?! Robôs que são meros robôs seguem três!): o primeiro é existir somente nas telas e não na vida real (dããã!). O segundo é, mesmo nas telas, não vestir-se com collants, máscaras, capas e etc. Ele morre de rir quando vê “um ator, supostamente adulto e racional, enfiado num pijama colorido e disposto a salvar a humanidade das mãos maléficas de um vilão tão ridículo e tão colorido quanto ele”. Bom, para alguém que não consegue distingüir entre fantasia e realidade, para alguém que não consegue aceitar diferentes formas de manifestação cultural que podem não ser as suas, elitizadas, deve ser realmente muito engraçado ver Batman. Sério deve ser assistir ao mais novo filme iraniano do circuito.

Se você acha que João Pereira Coutinho já avacalhou o bastante, leia esta: para ele são motivo de risada mais desopilante os adultos que acreditam em um super-herói e que isso compensa freqüentes brochadas. Tenho de parafrasear Alottoni: quando li isso MINHA CABEÇA EXPLODIU! Que análise mais tendenciosa, mais estapafúrdia, mais limitada e ultrajante essa. O sujeito se encalacrou no seu mundinho erudito. Está com a cabeça enfiada bem no meio escuro, para não ser vulgar, e vem dizer, traduzindo mais ainda, que nerd é brocha? Faça-me o favor… Estou me segurando para não dizer que antes ser brocha do que morder fronha (para usar um recurso textual que ele usou muito na sua coluna, o de dizer que não vai falar da coisa que está falando).

 

 

E ele continua. Chega a dizer, numa tentativa falha e escrota de ser irônico, que Heath Ledger morreu de overdose porque não agüentou de vergonha depois de ver o resultado de seu Coringa. O cara avacalhou definitivamente nessa. Poderia ter parado lá na questão da “ereção falhada” que já estava nojento o suficiente.

E quem foi que disse que na cabeça dos criadores a oposição “simplória” entre civilização e caos, entre Batman e Coringa, é uma metáfora do mundo pós 9/11?! Coutinho, você foi “simplório” ao entender e, mais ainda, ao escrever isso. Nem precisa se “sujar” muito para pesquisar e descobrir que o Batman já existe desde 1939 e o Coringa, desde 1940.

 

Há muitas formas de se pensar os dois, mas quase nenhuma se liga tão diretamente ao terrorismo niilista de que fala Coutinho. Batman e Coringa são personagens muito bem construídos, antagônicos sim, mas num nível muito mais interno e psicológico, basta que se seja capaz de colocar a cabeça para fora da sua bolha de “erudição” e consiga perceber os vários níveis de significado e as várias possibilidades que outros tipos de cultura podem ter.

 

 Coutinho fecha seu texto dizendo que a narrativa do filme é infantil e incongruente. Que a fantasia já é difícil de engolir como tal, imagine sendo tratada de forma realista como foi em Dark Knight. Ele só se esquece – e para alguém que se diz intelectual e escreve para jornais daqui e da Europa isso é inadmissível – de que mesmo em filmes sobre brasileiros se prostituindo em Portugal, espanhóis traficando cocaína ou indianos sofrendo censura social por escolher com quem se casar, mesmo nestes filmes não se está falando de realidade. Trata-se de ficção. Trata-se, em certa medida, de fantasia também. Seja uma produção mais comercial ou “de arte”. O cinema é isso. É aí que está a mágica.

Coutinho disse que um adulto equilibrado vê em Batman e Coringa dois dementes de pijamas. Eu digo: quem não consegue captar os vários níveis de significado, quem não consegue aceitar diferentes formas de pensar, pode se dizer equilibrado, intelectual e erudito, mas em verdade não passa nem nunca passará de um idiota frustrado.

 

 

Marcelo Salgado

 

Em tempo: João Pereira Coutinho não se intitula crítico de cinema (o que percebemos que realmente não teria capacidade de ser). Há críticos de verdade, muito bons, que são colunistas muito mais conscientes, como Mario Abbade, do Almanaque Virtual.   

DEFENDENDO JACK BAUER

24h

Como assim defender Jack Bauer? Bauer nunca precisou disso, afinal Bauer não precisa de defesa, a defesa precisa de Jack Bauer. Mas a propósito da visita que mister Sutherland fez ao nosso frágil país, na época da gravação do comercial de uma montadora francesa, muita besteira foi dita e escrita. A maior delas, talvez, tenha sido a de que o seriado 24 horas faz apologia ao método Bush de resolver as coisas. Várias reportagens, incluindo a de uma famosa revista eletrônica de domingo, usaram essa falsa característica da série para ilustrar quem era aquele gringo que admirava o pôr-do-sol de Copacabana.

 

Se há uma coisa que 24 horas não faz é defender a era Bush. Qualquer telespectador que se proponha a acompanhar a série percebe que, ao contrário, há severas críticas à política do governo Bush. Querem exemplos? A ver: de que partido é o presidente mais boa gente da história dos EUA, mister David Palmer? Do partido Democrata, meu amigo. Bush é republicano. Os democratas estão para os republicanos assim como os tucanos estão para os petistas, só que com muito, mas muito mais poder e charme. 

Outro: quem é que está por trás de todo o terrorismo que Jack Bauer enfrenta? Muçulmanos? Colombianos? Não. Americanos, meu amigo. Sim, diferente do que quer pregar Bush, o inimigo não está no reprimido Oriente Médio, mas dentro da América livre. São os mega-boga poderosos e manipuladores donos de petrolíferas e o escambau que arquitetam todos os planos. E não pense você que eles se dão mal no fim, não. Eles não se sujam e acabam sempre escapando, isso quando aparecem.

 

Mais um: na segunda temporada, uma das pessoas que ajudam Jack é um agente do governo de um país do Oriente Médio. O sujeito é discriminado pela CTU inteira e morre tentando salvar seu país de um ataque americano baseado em uma prova falsa. Detalhe: ele é assaltado e morre espancado por cidadãos americanos que percebem em seu rosto traços não ocidentais. Quer crítica mais cruel à era Bush?

 

A favor da teoria de que o seriado é um decalque do modus operandi do governo está o fato de que muitas das situações de risco são resolvidas na base da tortura. De fato, até o próprio presidente David Palmer mandou torturar um integrante do alto escalão federal. Mas quem disse que Bush manda torturar pessoas? Está certo que ele não é lá um anjo de pessoa, mas os casos de tortura que ficaram famosos em seu governo não foram totalmente responsabilidade sua, mas de militares perturbados que, aliás, não são exclusividade americana. E quem não vibrou com nosso heróis nacional, o mothafoca tupiniquim, Capitão Nascimento, fazendo a mesma coisa para o bem comum? Nem Bauer, nem o Capitão ficavam felizes ao recorrer à tortura e suas histórias incluem o drama pessoal de cada um ao enfrentar sua consciência por ter cometido atos inumanos. Serve ou não serve para gerar um debate entre amigos e para aprendermos mais sobre a natureza humana?

 

Em resumo, 24 horas é apenas um seriado, uma obra de ficção. Não tem o interesse de doutrinar ninguém. Tem sim o interesse de ganhar alguns milhões de dólares com entretenimento do bom, ao melhor estilo americano. O dia em que entendermos isso e pararmos de uma vez por todas com intelectualidades inúteis talvez consigamos fazer algo parecido. Enquanto isso, temos de nos contentar com seriados de caminhoneiros, filmes do Didi e novelas do Manoel Carlos.

 

Chloe, por favor, redirecione meu satélite.

 

IN MEDIA RES

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“… certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco inseto…” (A Metamorfose, Franz Kafka)

 

Esta, meus amigos, é primeira crônica desta seção – Quarta Crônica – e deste blog – o Cumê. Mas não pensem que vou começar do começo. Como diria o velho Horácio, em sua Ars Poetica, o grande lance é agarrar o leitor no meio da coisa.

 

É por isso que esse blog começou do nada no meio de tudo. Estava linkado no Jovem Nerd antes mesmo de existir e “mudou” para o Vilago sem nem ter tido uma casa antes. Até um pré-podcast foi produzido, há muito, totalmente péssimo e, por isso, deletado. Mas, calma, isso ainda está na agenda de conteúdos futuros. Aguarde e confie…

 

Ouça uma canção de Luiz Tatit: O Meio:

 

Acho que a minha vida é pautada por essa mania de começar do meio. Veja, por exemplo, o meu vasto conhecimento de html’s e php’s (*alerta de sarcasmo*). Como desculpa para a tosquice do blog, digo que é justamente essa a intenção: Cumêcamão não tem frescura! É isso, comecei um site/blog sem ter quase nenhum conhecimento sobre o backstage. :P

 

Então estamos aí. Aprendendo a cada postagem. O Cumê já conseguiu dois comentários no seu segundo dia de vida: os amigos Ananias Jr e Bruna The Eldar deram o ar da graça e desejaram boa sorte. Já é uma audiência de começo do meio ou de fim do começo, sei lá.

 

Digo então que este blog estará empenhado em produzir conteúdo instigante, engraçado, inteligente e, quase sempre, inútil, mas, sobretudo, tentará fazer com que você se sinta no meio da coisa. Sinta-se em casa, amigo, que vem muita coisa por aí!

 Até logo!