Arquivos na categoria ‘Quarta Crônica’

Mr Nice Guy Life’s Good

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Olá Cumês!

Hoje o Quarta Crônica abre espaço para dar uma ajudinha a Nick Ellis, no Desafio LG!

Ãh, como assim?!

Explico: Está rolando na rede o Desafio LG, uma gincana cultural entre essa raça sobrehumana que se descabela para levar entretenimento gratuito para você blogueiros.

Na fase 10/10 (a última!), o desafio é viralizar um vídeo tosco de um cover de uma música qualquer (haja artigo indefinido!), vídeo esse que foi produzido pelos próprios concorrentes na fase 08/10.

O partido do Cumê é o Digital Drops, do colega Mr Nice Guy: Nick Ellis. O Digital Drops é um blog que mantém a gente informado sobre as bugigangas tecnológicas os gadgets que pululam a todo instante nas nossas listas de desejos geekicos. Então, fique aí com UM vídeo tosco, de UM cover de UNbreake My Heart. Versão acústica by Nicky Ellis, úia!

É isso, galera! Tá viralizado. Good Luck, Nice Guy! Life’s Good!

Marcelo Salgado

O PODEROSO CHEFÃO… MADE IN BRAZIL – DIRETOR

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Acaba de ser definido o casting da mais nova superprodução da Jovem Nerd Pictures e da Cumêcamão Associations: O Poderoso Chefão… Made in Brazil! Um filmaço que vai estourar bilheterias num universo paralelo perto de você!

Muitos leitores avisaram que faltou a indicação do diretor. Explica-se: a série Made in Brazil vai trazer grandes filmes de Hollywood para a realidade tubi-tupy. Não se trata de uma adaptação do filme, mas de imaginar como ele seria se nunca tivesse sido feito lá e sim aqui. Sendo assim, melhor focar nos personagens e seus atores mais indicados.

Mas para que vocês não fiquem no vácuo, esperando por um diretor que pudesse levar essa história mega-boga clássica com mãos de ferro, aí vão os diretores que, na minha opnião, já demonstraram algum cacife para tal:

 

DIRETOR

Francis Ford Copppola era teimoso, temperamental e absolutamente genial. Na trilogia original d’O Poderoso Chefão, Coppola foi capaz de convergir talentos e produtores, crítica e entretenimento, público e três horas de filme. Mas, talvez seu maior feito tenha sido mesmo domar Marlon Brando… Quem seria o diretor ideal para a nossa versão dessa obra? No nosso universo parelelo, quem teria tido a mão certa para conduzir um clássico?

 

FERNANDO MEIRELLES

Do aclamado pela crítica e adorado pelo público Cidade de Deus (2002), do nem tão adorado, mas premiado O Jardineiro Fiel (2005) e, neste ano, o bem recebido Ensaio sobre a Cegueira, baseado no livro de Saramago. Um estilo mais sensível, denso e perfeccionista.

 

 

JOSÉ PADILHA 

O diretor de Tropa de Elite (2007) e só, mas também não é preciso muito mais. Uma filmagem explosiva que não economizaria na experiência de campo e levaria muito ator frouxo aos prantos.

 

 

WALTER SALLES 

Do bom Terra Estrangeira (1995), sobre os imigrantes brasileiros em Portugal, até Diários de Motocicleta (2004), sobre a juventude de Che Guevara, passando pelo quase ganhador do Oscar Central do Brasil (1998). Ainda mais sublime que Meirelles, o filme de Salles ganharia em lirismo.

 

E então? O que você achou? Lembra de mais algum diretor recente de competência ou de algum das antigas que mereça ser citado? Comenta aí! E lembre-se sempre de prestigiar o Cumê e o Jovem Nerd (eu escrevo lá regularmente em castings nerds e colunas)!

 

Valeu!

Marcelo Salgado

QUARTA CRÔNICA – TÃNÃNÃNÃNÃ-TÃNÃNÃNÃ-TÃNÃNÃÃÃ…

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Está em fase de definição do casting a mais nova superprodução da Jovem Nerd Pictures e da Cumêcamão Associations: O Poderoso Chefão… Made in Brazil! Um filmaço que vai estourar bilheterias num universo paralelo perto de você! Mas, o Brasil nunca teve lá uma máfia glamurosa, como Nova York e Sicília. Então, como retratar as intrincadas relações de confiaça e negócios da famiglia mais famosa das telonas? Fácil: vamos tentar adaptar a época e o ambiente. Se não der certo, ficamos mesmo com a máfia tradicional e a verossimilhança que se exploda!

 

PLOT

The Godfather se passa na década de 40 e 50, mas quase foi ambientado na década de 70, pois a Paramount queria conter gastos. Coppola insistiu e eles aceitaram gastar um pouco mais em figurino de época. Coppola também é elogiado por fazer com que nos afeiçoemos a personagens que são, na verdade, contraventores da lei. E no nosso caso? O nosso Poderoso Chefão se passaria quando? Onde? Como? Vejamos as possibilidades, comentem mais abaixo:

 

DÉCADA DE 60 E 70 / SUBMUNDO DA DITADURA MILITAR / SÃO PAULO

Ser um cidadão pensante e contestador entre os anos 60 e 70 era sinônimo de perigo. Enfrentar um general teria como consequencia a impiedosa e inexorável morte, num dos porões do DOPS. Nossa famiglia estaria encravada nos meandros do poder ditatorial. O general chegaria a ser presidente da república, mas precisaria estabelecer uma aura de medo respeito em torno de sua família. Seus filhos, em contrapartida, seriam impelidos a perpetuar o legado do pai, em meio a uma sociedade que clama por liberdade.

 

DÉCADA DE 80 E 90 / SUBMUNDO DO CRIME / RIO DE JANEIRO

De Cidade de Deus a Tropa de Elite, o submundo do crime no Rio já foi mais do que retratado. Mas nunca do ponto de vista do chefão do tráfico. No nosso filme, o cabeça do esquema teria a difícil tarefa de manter sob controle todos os chefes de boca. Disso dependeria a manutenção de seu poder e de sua família. O equilíbrio frágil de poder e de ganância seria mantido com muita execução a sangue frio. É, acho que nem Coppola conseguiria fazer o público se identificar com um mega traficante…

 

ANOS 2000 / SUBMUNDO DA POLÍTICA / BRASÍLIA

Ainda faz parte de nossa história recente os casos deflagrados de corrupção mensal que resultaram em quase nenhuma prisão (e se eu citar um nome sequer aqui vou eu preso…). Mas já se tornou um clássico que poderia muito bem ser retratado nas telonas. O nosso chefão político teria a dura missão de comandar com mãos de aço um complicado esquema de favores, regado a muito dinheiro e cargos de nomeação. Taí, acho que se identificar com o tráfico era mais fácil…

 

Então é isso. Essa não é uma votação aberta, afinal trata-se apenas de uma rápida crônica de quarta. Mas reflitam aí como seria a nossa famiglia e o nosso poderoso chefão. Durante a semana tem mais Godfather made in Brazil aqui, no Cumêcamão!

Votem também no Casting Nerd – O Poderoso Chefão made in Brazil clicando aqui!

QUARTA CRÔNICA – …

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A proposta da Quarta Crônica é trazer à discussão toda semana algum assunto interessante ou polêmico. Hoje, a QC não traz nada. Isso mesmo, nada. Mas como este mala metido a escritor que vos fala pode ter a pachorra de falar sobre o… nada?! É simples: …!

Li, certa vez, uma crônica do palmeirense Mario Prata, que tratava sobre a busca por um assunto, um mote sobre o que escrever. A necessidade de entregar um texto toda semana é capaz de fabricar malucos. Ou malandros. Falando sobre a busca por um assunto, Mario Prata enrolou o leitor e o jornal sem escrever sobre nada. Gênio.

Mais genial ainda foi Jerry Seinfeld. Um dos melhores comediantes da década passada nos presenteou com nove temporadas de sua “comédia sobre o nada“. Eu e você sabemos que Seinfeld, a sitcom, foi uma das melhores séries já criadas e que fala sim sobre o cotidiano, sobre as manias, maluquices e estranhezas humanas. Mas pare e pense. Lost é sobre uma misteriosa ilha, Heroes sobre mutantes se adaptando ao mundo, Friends sobre… amigos, etc. E Seinfeld? Sobre especificamente… nada. Super Gênio.

Eu não tenho um assunto hoje. Na verdade, assunto eu tenho. Poderia falar do Corínthians que subiu, da Marta que desceu, da Bolsa que subiu, da Bolsa que desceu, etc… Mas continuo sem ter um ASSUNTO de verdade. Então eu escrevo sobre o nada.

De nada.

 

QUARTA CRÔNICA – SOFISMARTA vs KASSANTO

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Tem-se o queijo suiço. O queijo suiço é cheio de buracos, certo?! Pois bem, sabendo-se que quanto maior o queijo, mais buracos, e que o buraco é a falta de queijo, chegamos à conclusão óbvia de que quanto mais queijo, menos queijo!

Provavelmente o queijo suiço da ex-prefeita Marta seja assim. Para ela, se um homem de seus 45 anos não é casado e não tem filhos, não é confiável e pode ser gay. A insinuação maldosa de sua campanha em relação à vida pessoal de Kassab conseguiu o exato efeito contrário. Com o sofisma acima, cuja intenção era desqualificar Kassab, Marta conseguiu se desqualificar, completamente. Conseguiu mais: criou um certo sentimento de compadecimento humano para com o demista, mesmo de mim quem não acha o Kassab um santo, e alimentou uma revolta contra a petista. Um mega-boga tiro no pé.

Vamos destrinchar o raciocínio de Marta em cinco sofismas:

 

Sofisma 1: Kassab não é casado, nem tem filhos, portanto não é honrado e não pode ser prefeito. Já Maluf é casado há muitos anos e não só tem filhos, como tem quatro, mais treze netos. Portanto, é no mínimo quatro vezes mais honrado e mais qualificado para a prefeitura de São Paulo.

Sofisma 2: Kassab não é casado, nem tem filhos, portanto pode ser gay. Marta era casada com Suplicy, mas separou. Suplicy, agora, só tem filhos, não é mais casado. Portanto, é meio viado.

Sofisma 3: Marta era casada e com filhos. Separou e casou com um franco-argentino. Portanto agora metade dela é heterossexual. A outra metade é um quarto viado, um quarto metida.

Sofisma 4: Supla, filho de Marta, não é casado, não tem filhos, pinta o cabelo e se veste de forma extravagante. Além disso, dispensou a Bárbara Paz, publicamente. Supla é viado.

 

Sofisma 5: Quem não é casado, nem tem filhos, não é gente honrada e qualificada e também é homossexual. Os padres não podem se casar, nem têm filhos, portanto são desqualificados e homossexuais. A igreja condena a homossexualidade, o que os desqualifica, então, duplamente. Sendo desqualificados para o ministério, os padres não podem ser padres. Em não sendo padres, não podem celebrar o casamento. Todos os casamentos realizados até hoje, portanto, são inválidos. Se nenhum casamento é válido e os homens se dividem entre os casados e os não casados, todos são não-casados. Voltamos à primeira sentença, quem não é casado, é viado. Logo, todo mundo é viado.

 

Um sofisma é um raciocínio que parte de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão absurda. Marta conseguiu transformar sua vida inteira num sofisma. Ela fez sua fama ao defender a mulher, a liberdade sexual e os homossexuais. Na sua administração, ficou famosa por incentivar a passetada GLS. Era respeitada por tudo isso, logo, não poderia utilizar o argumento torto de que Kassab, sendo gay, não poderia ser prefeito. Se o argumento de Marta é válido, sua vida inteira deixa de ser. Se não é, também, pois revela uma faceta diabólica – ainda mais por ser a verdadeira – da petista. Sua vida inteira, perdida numa única frase.

Marta mostrou, finalmente, que é um grande queijo suiço, cheio de queijo por estar cheio de nada. 




QUARTA CRÔNICA – SAVE THE HEROES, SAVE THE WORLD

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Eu ainda gosto de Heroes. Juro. E acho Heroes uma das melhores séries já produzidas. Calma, antes que os nerds fundamentalistas me atirem pedras, eu explico.

Qual era a primeira premissa – o plot – de Heroes? Pessoas ordinárias descobrindo habilidades extraordinárias, certo?! Estava explicado desde o início. Tinhamos um japonês nerd, um político corrupto, uma líder de torcida, um emo-enfermeiro, um artista plástico viciado, um policial frustrado, uma striper de internet, enfim, pessoas comuns enfrentando seus problemas comuns. Aí você  diria: se fosse só isso estaria mais para uma minissérie boring da Globo do que para uma superprodução americana. Concordo. Mas muita gente se decepcionou com Heroes esperando combates mega-boga impressionantes e demonstrações incríveis das “habilidades”. Aí eu digo: se fosse assim seria só um seriado dos X-Men.

A inovação de Heroes, então, foi juntar trivial com fantástico? Também não. Numa busca rápida no Google na memória poderíamos citar várias séries que fizeram isso antes. De Buffy – A Caça Vampiros a Smallville. E eu aposto como você não coloca estas séries na sua lista de preferências. A diferença entre elas e Heroes está justamente na forma como essa relação entre comum e estranho é apresentada. A meu ver, Heroes teve e ainda tem pelo menos dois trunfos:

1. Clima cosmopolita – Por trás de tudo o que está acontecendo com os personagens há sempre um clima moderno e cosmopolita. Seja no Texas, em Tokio ou em Nova York, há uma espécie de “âmbito global” que envolve a série, o que tira aquela aura de limitação que se tem, por exemplo, nas Aventuras do Superboy…

2. Personagens carismáticos – Quem não adora o Hiro Nakamura, interpretado de maneira genuina pelo nipo-americano Masi Oka?  Os personagens de Heroes em sua maioria produzem um certo grau de identificação com o público. Até mesmo o Sylar, em outra interessante interpretação, de Zachary Quinto, cria uma aproximação com quem assiste. É claro que há os personagens-mala como o indiano Mohinder (Sendhil Ramamurthy), o moleque Micah (Noah Gray-Cabey) e a chorona Maya (a dominicana Dania Ramírez), mas estes são compensados pelas boas histórias em torno de Claire (Hayden Panettiere) e seu enigmático pai (Jack Coleman), Peter e Nathan Petrelli, etc.

O azar de Heroes foi ter sido produzida em uma época tão bem servida de séries. Quem aí ainda não cata os miolos espalhados pelo teto com as últimas cenas de Lost? Quem aí não espera ávido pela próxima temporada de 24h? Sem falar nas mais novas, como Dexter, Pushing Daisies e a novíssima Fringe, para citar  as séries dramáticas que me chamam a atenção. E olha que não mencionei nenhuma sitcom como Two And A Half Man e The Big Bang Theory. Ou seja, estamos MUITO mal acostumados.

Diante disso, e de modismos virais, tendemos a achar que Heroes está naufragando em suas própias águas. Ainda acredito que não. Ainda acredito que Heroes tem mais. Até Lost tropeçou no meio do caminho, para depois retomar as implosões cerebrais. Heroes não está tão bombástica como começou, isso é fato, mas está longe de ser uma série ruim. Pelo contrário. Se Tim Kring e os roteiristas acertarem a mão, Heores terá sido uma das melhores séries jamais produzidas. Eu estou maluco. Tudo bem. Então pelo menos estará longe de ser um Zeroes…

QUARTA CRÔNICA – O BAQUE DE ALCKMIN, CRIVELLA CRIVADO E OS PADRINHOS MÁGICOS

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A política é uma caixinha de surpresas, já diria Aristóteles (ou não!). Mas também é cheia de coincidências e scripts que se repetem. No último domingo tivemos uma demonstração dessa previsibilidade imprevisível.

Em São Paulo, durante os últimos meses, tinhamos Marta em primeiro e Alkmin em segundo. Na última semana, o prefeito Beaker Kassab deu uma arrancada e arrancou de Alkmin o segundo lugar e de Marta, o primeiro. O imprevisível fica por conta da popularidade de um prefeito polêmico – lembra do “vagabundoo!” que ele gritou para uma manifestante? – e com um passado político desinteressante – de alianças com a dupla Maluf/Pitta e, mais no passado, com a ditadura. Esse prefeito superou a ex-prefeita, ligada ao superpopular Lula, e também o ex-governador, que já foi candidato até a presidente. Por outro lado, esse script estava mais ou menos escrito. Alkmin forçou sua candidatura. O partido, PSDB, tinha uma forte tendência, encabeçada pelo governador José Serra, de apoiar Kassab, do DEM. Kassab havia sido o vice em sua chapa para a prefeitura, que Serra largou no meio, enganando todo mundo, para disputar o governo do estado. 

Alckmin levou um baque que pode ter sido fatal. Perder como perdeu, no seu domicílio eleitoral, e com o partido veladamente antes e declaradamente a favor de Kassab depois, não vai ser fácil de digerir.

Já no Rio de Janeiro, um alento para aqueles que já haviam jogado a toalha da seriedade. O pastor Marcelo Crivella, notório demagogo, que chegou a liderar pesquisas, foi crivado de acusações certeiras e acabou ficando em terceiro lugar. A surpresa foi a arrancada de Fernando Gabeira, do PV, que tem o apoio massivo da clásse artística e dos intelectuais, além de um passado político de ética e coerência (mesmo levando em conta o episódio do sequestro do embaixador americano, na década de 60, e mesmo acreditando que a maconha pode ser legalizada).

Agora, um dos assuntos mais discutidos é o apadrinhamento político. Essa foi a principal dificuldade de Alkmin em São Paulo. Apesar de ser do mesmo partido de José Serra, o PSDB, Alkmin não era seu afilhado. Serra manteve-se distante e só apareceu na campanha do tucano em vídeos gravados há algum tempo. Serra também não podia declarar apoio a Kassab, mas todo mundo sabia que a torcida do Padre Quevedo de Tucanópolis era pelo Gilberto Pesqueixo (valeu, pelo apelido, @thiagomoraesp!). O resultado você já leu mais acima.

Já Marta lembra e relembra que tem Lula como seu “padrinho mágico” e, não se engane, seus 32% de votos foram em boa parte por conta dele. Marta tem um defeito que quase todo mundo, mesmo aqueles que votaram nela, lembra ao falar da ex-prefeita: a arrogância. Essa “marca registrada” leva seu índice de rejeição ao limite extremo. Sem Lula, ela teria a votação do Maluf, se não menos.

Nas eleições para prefeito todo mundo quer um padrinho mágico, alguém que lhe dê credibilidade e, às vezes, essa luta acaba sendo mais importante que o pleito em si. Veja Lula e Serra, por exemplo. Aliás, não se engane, (e)leitor, o interesse dos partidos e de seus caciques não está tanto nos cargos de prefeito, mas no que eles podem trazer de benefício nas próximas eleições, para presidente.

Quer uma coincidência interessante? Fernando Henrique, antes de ser Ministro da Fazenda de Itamar Franco e Presidente da República, foi candidato a prefeito de São Paulo. O ano era 1985 e Jânio Quadros ganhou. Olha aí, Alckmin, tudo piora antes de melhorar. Seja brasileiro e não desista nunca.


QUARTA CRÔNICA – COISAS QUE EU ODEIO/ADORO: A POLÍTICA

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Isso mesmo, você leu bem. A política está para mim assim como George Lucas está para os nerds. É uma relação estranha, de amor e ódio. Comecemos do princípio e no princípio eram as trevas. À exceção de algumas tardias pílulas de consciência cidadã vindas dos professores de história, não tive uma educação política decente na escola. A primeira vez que me vi envolvido com isso foi no impeachment de Collor, em 1992. O tema da época era a ética. Cheguei a criar, no auge dos meus doze anos, um jogo de tabuleiro, que fiz com cartolina e canetinhas coloridas, onde o jogador poderia seguir por dois caminhos, o da ética e o da corrupção. O caminho da ética era longo e tortuoso, mas limpo. Dependendo dos dados, o jogador chegaria ao final com certa demora. O da corrupção era uma linha reta, curtíssima, mas cheio de obstáculos, incluindo polícia e cadeia. O jogador chegaria mais rápido ao final, mas correria um grande risco e dependeria da sorte.

Já em 1993, quando houve o plebiscito sobre o regime de governo no Brasil, me envolvi mais. Monarquia versus República, Presidencialismo versus Parlamentarismo. Eu era a favor da República Parlamentarista e tinha ótimos argumentos, à época. Nenhum deles, no entanto, era realmente meu. Eu havia sido influenciado diretamente pela professora de história, que era claramente a favor do parlamentarismo.

Antes disso, me lembro de passear de carro com minha tia no dia da eleição de Collor, antes de sabermos o resultado. Para todo mundo que passava faziamos um “L” com o dedão e o indicador, mostrando que eramos Lula-lá. Eu achava tudo uma farra, não entendia o que aquilo queria dizer. Mas Lula, o barbudo, perdeu de Collor, o caçador de marajás, muito devido a um famoso debate na Globo, editado com a intenção de favorecer o alagoano. Uma análise mais criteriosa facilmente faria perceber que Lula não tinha capacidade intelectual de “ganhar” um debate com o Fernandinho, e isso não é preconceito não. É questão de formação mesmo, vários interlocutores já fizeram pegadinhas intelectuais com Lula e ele – um excelente orador, líder em essencia – sempre caiu. Enfim, não era preciso editar o debate. Mas editaram.

Depois – e por causa disso – passei a uma fase petista-adolescente que inocentemente durou até a fase adulta. Cheguei a me filiar ao partido, com carteirinha e tudo. Trabalhei na primeira eleição de Lula. Foi quando me distanciei. Não, eu não havia adquirido consciência, nem descoberto qualquer falcatrua (muito embora a forma de pagamento dos ajudantes não fosse acima de qualquer suspeita). Mas meio que me desencantei com a coisa. Depois vieram as coligações perigosas, as mudanças de pensamento que fizeram as antigas lutas parecerem incoerentes, e, finalmente, o escândalo do mensalão, em 2005. Alí caía por terra aquela antiga crença, muito apregoada por um professor meu no Cursinho da Poli, de que petismo era sinônimo de honestidade. Na verdade, nunca foi. A bandeira do partido era essa, a criação dele foi baseada nessa luta de liberdade e ética, por sindicalistas e intelectuais. Mas a natureza humana é facilmente corrompida e não é uma estrela e uma sigla que vão transformar isso. A ética está em cada um, não numa bandeira vermelha. Nenhum partido está a salvo de oportunistas. Há sempre um Anakin caindo nas graças do lado negro da força.

Esse período de decepção política ainda dura um pouco comigo. Eu, que vivia o eco já fraco dos intelectuais perseguidos pela ditadura, entrava no século XXI, finalmente. Para muitos, o PSOL da Heloísa “babado branco” Helena, preencheu essa lacuna ética, mas não mais para mim. Minha consciência política já consegue observar de fora e perceber que só indignação com as desigualdades não resolve. Tem de haver planejamento, formação em políticas públicas, capacidade de gerir e clareza na administração e na separação do público e do privado (e isso não pode ficar só no marketing). É difícil recomendar um candidato com esses atributos hoje e, mesmo que houvesse, eu nem poderia fazer isso aqui. Assim como eu fui extremamente influenciável durante tanto tempo, ainda há muita gente nessa condição. O importante é você pensar criticamente e chegar a uma opnião própria do que é importante para você, para a cidade, para a sociedade. Você pode odiar George Lucas por muitas coisas, mas não pode negar sua influencia no cinema de entreteninemento. Domingo tem fila eleição e pense bem nisso tudo antes de votar. Ou você vai viver uma relação só de ódio com a política por mais alguns anos. Saque seu sabre de luz contra o Império e que a força esteja com você!

 

PS (Piada Star Wars): Maluf, e Naboo nada, não vai dinha?!  

 


QUARTA CRÔNICA – COISAS QUE ODEIO #1


Amigo Cumê, começa hoje na seção Quarta Crônica a série Coisas que Odeio. Nesta sequencia de textos vocês vão ficar sabendo, de uma forma bastante leve e bem humorada,  que estilo musical me perturba, que artistas me dão medo, que programas me expulsam da frente da tevê, enfim, que coisas desse mundão me pelam o saco. No primeiro “desabafo”: Ed Motta.

 

EVERYBODY HATES ED MOTTA

Nascido Eduardo Motta, um nome até que legal, sobrinho do lendário e saudoso porra loca Tim Maia, Ed Motta tinha tudo para ser um cara bacana, gente fina (ôps). Mas ele é um ser superior, que vai além do ser humano normal (if you know what i mean). Ele é um honrado representante do que podemos chamar de intelectual. Ele curte vinhos e isso é deveras cult. Ele curte cervejas européias e chás europeus e isso é deveras cult (é ruim prá c@$#%, mas é cult). Ele curte músicas que ninguém curte e isso é deveras cult.

UPDATE: Ele também curte quadrinhos europeus e isso é cult. Mas como bem lebrou o leitor Ricardo Capanelli, tem muita coisa boa nessa área. De Hergé (Tintin) a Neil Gaiman, não dá prá desprezar esses gênios.

Até aí, tudo bem. Como diria Antonio Abujamra, “a vida é sua, entregue-a como quiser”. O problema surge mesmo quando o sujeito começa a se “espalhar” e a querer que as pessoas aceitem o seu life style. Aí, bicho, se não tiver um mínimo de humildade, não dá.

 

Não gosto de futebol, feijoada, cerveja nacional e odeio Copa do Mundo. Se pudesse escolher, moraria em Paris, Nova York ou Londres” (Ed Motta, Revista Isto É, ed 1911)

 

Alôô! Eu também escolheria morar em Nova York se pudesse, mas – pééééh – justificativa errada, amigo. Nova York é a capital do mundo, cheia de possibilidades, toda a cultura pop do mundo num só lugar. A escolha deve ser pelo que oferece de bom a outra cidade, não pelo que se despreza da sua cultura. Sai da bolha, Ed Motta!

É por essas e outras que, mesmo quando quase tem razão, ele a perde. Veja o vídeo.

 

Sacou?! É claro que o crítico deve entender o mínimo para criticar seriamente, ou deve deixar bem claro que seu texto é só uma opnião. Até o Frejat, que já viveu una vida loca, consegue ter uma posição mais equilibrada. E aí vai uma dica, Ed, nunca, ouviu bem?!, NUNCA cite uma frase que você não tenha a certeza de que está correta. Não cai bem para um intelectual. O sujeito teve que te corrigir! Que chato. Os caras vão pensar que você é um pseudo-intelecto-bobo, e nós sabemos que você não é, certo?!

Você é apenas mais uma destas COISAS QUE ODEIO

 

OS.: E olha que eu nem falei do seu todo perfeito estilo musical boring


QUARTA CRÔNICA – ESTE QUE ESTÁ AQUI ATRÁS


Como é difícil escrever um texto de humor. Você queima alguns milhões de neurônios – que não voltam mais, aceite! – tentando encontrar a piada genial, mas ela quase nunca vem.

Para escrever este-que-está-aqui pensei primeiro em fazer graça com o trânsito de São Paulo. Nós, paulistanos, passamos mais tempo em engarrafamentos do que vivendo. Isso, às vezes, pode ser o álibe perfeito, claro. “Você demorou hoje, amor”, “A marginal, querida, estava pe-la-da”, “Estava o quê?!”, “Parada, meu bem, pa-ra-da”.

Como o trânsito de São Paulo já perdeu a graça faz tempo, decidi procurar o riso na política. Alguém aí já viu o filho do Enéas? Cara, que o falecido não me escute, mas aquilo é o cúmulo da escrotidão. Ele tenta, mas não consegue nem falar grosso. É cômico. E a Dra Havanir? Outro absurdo. Mas pelo menos fala mais grosso que o Enéas Filho. E que eu e você também. Aliás, uma coisa que me intriga é o fato de ela ser doutora. Será que ela é médica? Já pensou, ela encosta o que você acredita ser o estetoscópio nas suas costas e grita: “diga cinquenta e seis!”. Que coisa. E o Dinei, ex-jogador do Corínthians? Ele quer fazer carreira na política também?! Sem falar no Serginho Mallandro, candidato a vereador. Imagina ele abrindo uma sessão da Câmara com um “rá, salci-fufú!”. Seria cômico, se não fosse trágico.

Parti, então, para as semi-celebridades. Elas sempre dão boas piadas. Ou simplismente sempre dão. A Preta Gil, por exemplo, vive dando motivo. A última foi a comparação que ela fez em seu blog entre seu corpo e o da Mulher Melancia. Postou até uma foto para provar que as duas são iguaizinhas. A piada, claro, está implícita. Se a matéria é minha ponho logo na manchete: “Preta Gil admite: tem o formato da melancia”.  

E a menina-prodígio, Maisa, do SBT, que já havia chamado seu patrão, ninguém menos que Silvio Santos, de “idoso”, agora deu para bater todo sábado a veterana Xuxa no Ibope. A garota está com tudo. Se continuar assim, logo, logo vai virar a poderosa do SBT. Nem o Chaves vai poder com ela.

Fala sério, depois dessa sequência de piadas sem graça, só me resta dizer que foi sem querer querendo. Isso, isso, isso…