Archive for October, 2008

QUARTA CRÔNICA – SAVE THE HEROES, SAVE THE WORLD

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Eu ainda gosto de Heroes. Juro. E acho Heroes uma das melhores séries já produzidas. Calma, antes que os nerds fundamentalistas me atirem pedras, eu explico.

Qual era a primeira premissa – o plot – de Heroes? Pessoas ordinárias descobrindo habilidades extraordinárias, certo?! Estava explicado desde o início. Tinhamos um japonês nerd, um político corrupto, uma líder de torcida, um emo-enfermeiro, um artista plástico viciado, um policial frustrado, uma striper de internet, enfim, pessoas comuns enfrentando seus problemas comuns. Aí você  diria: se fosse só isso estaria mais para uma minissérie boring da Globo do que para uma superprodução americana. Concordo. Mas muita gente se decepcionou com Heroes esperando combates mega-boga impressionantes e demonstrações incríveis das “habilidades”. Aí eu digo: se fosse assim seria só um seriado dos X-Men.

A inovação de Heroes, então, foi juntar trivial com fantástico? Também não. Numa busca rápida no Google na memória poderíamos citar várias séries que fizeram isso antes. De Buffy – A Caça Vampiros a Smallville. E eu aposto como você não coloca estas séries na sua lista de preferências. A diferença entre elas e Heroes está justamente na forma como essa relação entre comum e estranho é apresentada. A meu ver, Heroes teve e ainda tem pelo menos dois trunfos:

1. Clima cosmopolita – Por trás de tudo o que está acontecendo com os personagens há sempre um clima moderno e cosmopolita. Seja no Texas, em Tokio ou em Nova York, há uma espécie de “âmbito global” que envolve a série, o que tira aquela aura de limitação que se tem, por exemplo, nas Aventuras do Superboy…

2. Personagens carismáticos – Quem não adora o Hiro Nakamura, interpretado de maneira genuina pelo nipo-americano Masi Oka?  Os personagens de Heroes em sua maioria produzem um certo grau de identificação com o público. Até mesmo o Sylar, em outra interessante interpretação, de Zachary Quinto, cria uma aproximação com quem assiste. É claro que há os personagens-mala como o indiano Mohinder (Sendhil Ramamurthy), o moleque Micah (Noah Gray-Cabey) e a chorona Maya (a dominicana Dania Ramírez), mas estes são compensados pelas boas histórias em torno de Claire (Hayden Panettiere) e seu enigmático pai (Jack Coleman), Peter e Nathan Petrelli, etc.

O azar de Heroes foi ter sido produzida em uma época tão bem servida de séries. Quem aí ainda não cata os miolos espalhados pelo teto com as últimas cenas de Lost? Quem aí não espera ávido pela próxima temporada de 24h? Sem falar nas mais novas, como Dexter, Pushing Daisies e a novíssima Fringe, para citar  as séries dramáticas que me chamam a atenção. E olha que não mencionei nenhuma sitcom como Two And A Half Man e The Big Bang Theory. Ou seja, estamos MUITO mal acostumados.

Diante disso, e de modismos virais, tendemos a achar que Heroes está naufragando em suas própias águas. Ainda acredito que não. Ainda acredito que Heroes tem mais. Até Lost tropeçou no meio do caminho, para depois retomar as implosões cerebrais. Heroes não está tão bombástica como começou, isso é fato, mas está longe de ser uma série ruim. Pelo contrário. Se Tim Kring e os roteiristas acertarem a mão, Heores terá sido uma das melhores séries jamais produzidas. Eu estou maluco. Tudo bem. Então pelo menos estará longe de ser um Zeroes…

AUDIOCONTO #12 – O ALIENISTA, Cap. 2

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Capítulo II – TORRENTES DE LOUCOS

 

Olá Cumês! Hoje no ar o segundo capítulo d’O Alienista, de Machado de Assis – Torrentes de Loucos, ainda homenageando o maior escritor brasileiro de todos os tempos, no centenário de seu falecimento.

No capítulo passado, apresentado o Dr Simão Bacamarte, o alienista, uma espécie de psicanalista, ficamos sabendo que a câmara de Itaguaí aprova a abertura da Casa Verde, um abrigo para os mentalmente doentes. Dona Evarista, antes desconfiada com a idéia, passa a aprova-la depois que percebe o reconhecimento da alta sociedade. Ironia social pura.

Fiquem então com o segundo capítulo do conto (ou será novela?!) O Alienista, só para você aqui no Cumê!

 

 

Cuma?!.: Semana que vem o terceiro capítulo. Aguarde e confira!

Não ouviu o primeiro capítulo? Vai lá e ouve!

A graphic acima, em sépia, é parte da obra genial e gemial de Fabio Moon e Gabriel Bá. Os dois irmãos do 10 Pãezinhos adaptaram O Alienista para quadrinhos graphic novel e ficou duka! Vai lá e compra no Submarino!

PLAULIST #12 – ESPECIAL DIA DAS CRIANÇAS

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É isso aí, crianças! Hoje tem Playlist Especial para vocês! Divirtam-se com canções de filmes e desenhos, aberturas, clipes, etc. E tem desafio para os Cumês! Descubram qual a origem das canções, postem nos comentários ou enviem e-mail para cumecamao@gmail.com e sejam citados no próximo Playlist do Cumê!

Então vamos ao que interessa. Play!


VAI LÁ E VOTA! – QUEM ERA VOCÊ… NOS MUPPET BABIES?!

Vai dizer que, quando criança, você nunca brincava de ser algum personagem de desenhos, filmes, séries, etc?! Eu mesmo, por exemplo, era o Change Vermelho, dos Changemans, e o Montgomery, do Get Along Gang (A Turma, no Brasil). E você, que era?! É tentando responder a essa pergunta que começa hoje uma série de enquetes que vão definir qual a porcentagem de heróis, engraçadinhos, vilões e mocinhas entre nós! Começa hoje o QUEM ERA VOCÊ…, aqui no Cumê!

 

O desenho animado Muppet Babies fez muito sucesso nas tardes do SBT e se tornou um clássico no final dos anos oitenta, mas foi produzido originalmente entre 1984 e 1990, na NBC. O desenho é criação de Jim Henson, com a colaboração, veja você, da Marvel (sua cabeça explodiu aí também?!), baseada nos seus próprios personagens, os Muppets, que foi exibido na década de setenta. Os Muppets adultos eram bonecos de fantoche e figuravam uma série de tevê e seis filmes e que tentavam escapar de altas encrencas ou colocar seu próprio show no ar, sem muita preocupação com o politicamente correto. Já no desenho animado, Jim amenizou o tom e transformou bagunça em diversão. Os bebês estão o tempo todo no berçário bolando maneiras de passar o tempo ou de comer os proibidos biscoitos antes do jantar. Ficaram marcadas as cenas em que um deles abre uma porta errada e, no fundo, se passa alguma cena de um filme clássico, com a qual interagem. Ou as aparições da Babá (Nanny, no original), mostrada somente através da perspectiva dos bebês, ou seja, as pernas com longas meias listradas em verde e branco.

Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas vamos ao que interessa. Escolha abaixo, querido leitor, quem era você nesse maravilhoso desenho da década mágica. Relembre os personagens e vote. O resultado, quinta que vem, aqui no Cumê!

 

CACO, O SAPO

Sua primeira aparição foi em Sésame Street (Vila Sésamo, no Brasil). Caco é o líder boa praça. Está sempre de bom humor e pronto para livrar a todos de alguma encrenca. É, de certa forma, tímido quando se trata de mulheres. Tem uma admiração pela Babá, mas seu par parece ser mesmo a Piggy. É um excelente e fiel amigo, sempre pautando suas ações pela honestidade e pelo bem.

 

PIGGY

Piggy é uma esnobe porquinha rosa que se acha linda e que não liga a mínima para o declarado amor de Gonzo. Sua fixação é mesmo pelo Caco e pelo estrelato. Seu egoísmo acaba colocando os bebês em situações complicadas, mas no final Piggy acaba sempre se rendendo ao bem.

 

GONZO

Gonzo é um bicho azul, de olhos redondos e grandes e uma espécie de nariz em forma de gancho arredondado. Diferente dos demais Muppets, Gonzo não tem uma espécie definida. E ele sofre por isso. Sempre à procura de uma identidade e de ser correspondido em seu amor por Piggy, Gonzo coloca a todos em enormes confusões. Ele é o esquisitão atrapalhado que às vezes é mal compreendido, mas que está somente querendo agradar (numa incrível necessidade de ser aceito).

 

FOZZIE

Fozzie é um ursinho de chapéu-helicóptero e nariz rosa cuja a única pretensão é ser um humorista consagrado. Para isso, vive sempre tentando contar piadas sem graça, como a da galinha que atravessou a rua. Wakka, wakka, wakkaaa! É um cara do bem, melhor amigo de Caco, mas deveras lento. Acaba sendo mais engraçado pelos seus trejeitos que propriamente por suas piadas.

 

ROWLF

É o cãozinho descolado e hiperativo, que não larga de seu piano. Está sempre pronto para todas as aventuras, ajudando os amigos a superar dificuldades com seu alto astral.

 

SCOOTER

Scooter é o nerd da turma. Pelo menos no desenho, já que na série mais adulta ele era o ajudante faz-tudo de Caco. Cabelo vermelho e óculos compõem seu visual divertido. Seu computador pessoal sempre ajudava a turma em alguma enrascada.

 

SKEETER

A irmã gêmea de Scooter era o contraponto do irmão nerd. Ela gosta de praticar esportes como o skate. Super saudável e ativa, é a ação que completa o irmão.

 

BUNSEN e BEAKER

Eram dois coadjuvantes inseparáveis. Bunsen um inventor com roupas de cientista maluco e Beaker um ajudante-cobaia monosilábico que só sabia dizer bee. Apesa disso, as invenções malucas eram muito interessantes e as opniões de Beaker bastante sensatas.

 

ANIMAL

De longe o mais divertido e non sense Muppet. Animal é um bicho esfomeado, feio, desarticulado, mas que não está nem ligando para tudo isso. Seu lema é se divertir sem preocupações e comer tudo o que vier. Eita desprendimento social…

QUEM ERA VOCÊ… NOS MUPPET BABIES?!

CACO, O SAPO
PIGGY
GONZO
FOZZIE
ROWLF
SCOOTER
SKEETER
BUNSEN e BEAKER
ANIMAL

 

Pronto, cumê! Estão dados os rasos perfis psicológicos dos principais personagem do clássico desenho que passava no programa da Mara Maravilha. Agora é sua vez de escolher sinceramente com quem você se identificava mais. Finalmente vamos ver quantos Animais acessam este site cumístico, sem ofende nenhum leitor :p 

PS.: Aproveite e compre o box do Muppet Show original, importado, em inglês, no Suba!

 

 

QUARTA CRÔNICA – O BAQUE DE ALCKMIN, CRIVELLA CRIVADO E OS PADRINHOS MÁGICOS

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A política é uma caixinha de surpresas, já diria Aristóteles (ou não!). Mas também é cheia de coincidências e scripts que se repetem. No último domingo tivemos uma demonstração dessa previsibilidade imprevisível.

Em São Paulo, durante os últimos meses, tinhamos Marta em primeiro e Alkmin em segundo. Na última semana, o prefeito Beaker Kassab deu uma arrancada e arrancou de Alkmin o segundo lugar e de Marta, o primeiro. O imprevisível fica por conta da popularidade de um prefeito polêmico – lembra do “vagabundoo!” que ele gritou para uma manifestante? – e com um passado político desinteressante – de alianças com a dupla Maluf/Pitta e, mais no passado, com a ditadura. Esse prefeito superou a ex-prefeita, ligada ao superpopular Lula, e também o ex-governador, que já foi candidato até a presidente. Por outro lado, esse script estava mais ou menos escrito. Alkmin forçou sua candidatura. O partido, PSDB, tinha uma forte tendência, encabeçada pelo governador José Serra, de apoiar Kassab, do DEM. Kassab havia sido o vice em sua chapa para a prefeitura, que Serra largou no meio, enganando todo mundo, para disputar o governo do estado. 

Alckmin levou um baque que pode ter sido fatal. Perder como perdeu, no seu domicílio eleitoral, e com o partido veladamente antes e declaradamente a favor de Kassab depois, não vai ser fácil de digerir.

Já no Rio de Janeiro, um alento para aqueles que já haviam jogado a toalha da seriedade. O pastor Marcelo Crivella, notório demagogo, que chegou a liderar pesquisas, foi crivado de acusações certeiras e acabou ficando em terceiro lugar. A surpresa foi a arrancada de Fernando Gabeira, do PV, que tem o apoio massivo da clásse artística e dos intelectuais, além de um passado político de ética e coerência (mesmo levando em conta o episódio do sequestro do embaixador americano, na década de 60, e mesmo acreditando que a maconha pode ser legalizada).

Agora, um dos assuntos mais discutidos é o apadrinhamento político. Essa foi a principal dificuldade de Alkmin em São Paulo. Apesar de ser do mesmo partido de José Serra, o PSDB, Alkmin não era seu afilhado. Serra manteve-se distante e só apareceu na campanha do tucano em vídeos gravados há algum tempo. Serra também não podia declarar apoio a Kassab, mas todo mundo sabia que a torcida do Padre Quevedo de Tucanópolis era pelo Gilberto Pesqueixo (valeu, pelo apelido, @thiagomoraesp!). O resultado você já leu mais acima.

Já Marta lembra e relembra que tem Lula como seu “padrinho mágico” e, não se engane, seus 32% de votos foram em boa parte por conta dele. Marta tem um defeito que quase todo mundo, mesmo aqueles que votaram nela, lembra ao falar da ex-prefeita: a arrogância. Essa “marca registrada” leva seu índice de rejeição ao limite extremo. Sem Lula, ela teria a votação do Maluf, se não menos.

Nas eleições para prefeito todo mundo quer um padrinho mágico, alguém que lhe dê credibilidade e, às vezes, essa luta acaba sendo mais importante que o pleito em si. Veja Lula e Serra, por exemplo. Aliás, não se engane, (e)leitor, o interesse dos partidos e de seus caciques não está tanto nos cargos de prefeito, mas no que eles podem trazer de benefício nas próximas eleições, para presidente.

Quer uma coincidência interessante? Fernando Henrique, antes de ser Ministro da Fazenda de Itamar Franco e Presidente da República, foi candidato a prefeito de São Paulo. O ano era 1985 e Jânio Quadros ganhou. Olha aí, Alckmin, tudo piora antes de melhorar. Seja brasileiro e não desista nunca.


AUDIOCONTO #11 – O ALIENISTA, Cap. I

Capítulo I – DE COMO ITAGUAÍ GANHOU UMA CASA DE ORATES

 

Olá Cumês! O Cumêcamão mais uma vez prova que também é cultura e traz para vocês O Alienista, de Machado de Assis, homenageando o maior escritor brasileiro de todos os tempos, no centenário de seu falecimento.

O Alienista foi escrito em capítulos para a revista A Estação, do Rio de Janeiro. Algum tempo depois foi publicado na íntegra na coletânea Papéis Avulsos. Trata-se de um conto encaixado no Realismo, uma obra genial de Machado, finamente irônica e crítica da sociedade.

Fiquem então com o primeiro capítulo do conto (ou será novela?!) O Alienista, só para você aqui no Cumê!

 

 

 

Cuma?!.: Semana que vem o segundo capítulo. Aguarde e confira!

A graphic acima, em sépia, é parte da obra genial e gemial de Fabio Moon e Gabriel Bá. Os dois irmãos do 10 Pãezinhos adaptaram O Alienista para quadrinhos graphic novel e ficou duka! Vai lá e compra no Submarino!

PLAYLIST #11 – ESPECIAL: LENINE

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Aproveitando o lançamento do seu oitavo disco – Labiata, 2008 – o Cumêcamão orgulhosamente traz o Playlist #11 – Especial: Lenine! O pernambucano universal será quase destrinchado no nosso programa. Escolhi uma música de cada disco, as que eu considero imperdíveis, mais dois bônus de canções que não foram lançadas em cd! Pois então aproveite, meu amigo. Quase uma hora de Lenine na veia, um resumão comentado da discografia do cangaceiro espacial!  

Sugestões e comentários para cumecamao@gmail.com!  

Até mais!

PS.: Vai lá e compra!  


MITOS DA COMÉDIA – JÔ SOARES

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O programa do Jô está complentando 20 anos e o Mitos da Comédia não poderia ficar de fora da festa. Mitos da comédia: Jô Soares! 

Nascido José Eugênio Soares, em 1938, no Rio de Janeiro, Jô Soares transformou-se numa das pessoas mais influentes dos últimos trinta anos no Brasil. Dono de uma biografia invejável, Jô foi durante muito tempo a referência humorística e intelectual do país. Hoje, dada a multiplicidade de referências e informações, não detém mais esse monopólio, mas ainda é capaz de fazer rir.

Jô veio de uma família abastada, aparentada do jornalista Assis Chateaubrian, e estudou em colégios importantes no Rio de Janeiro e na Suíça. Sua formação visava a diplomacia, mas acabou dando uma guinada para o lado artístico, o que fez muito bem.

Não vou alongar aqui uma biografia que já é conhecida pelo Brasil todo. Basta lembrar que seu primeiro programa solo (apesar das participações de vários humoristas) foi o Viva o Gordo, em 1981, na Globo, mas ele já havia participados de vários, desde a década de 60, como a Família Trapo (1967), Faça Humor, Não Faça Guerra (1970), Satiricom (1973), Planeta dos Homens (1976), Chico Anysio Show (já mais à frente, em 1982). O programa foi reeditado em 1988, já no SBT, como Veja o Gordo. 

Depois disso, Jô enveredou pelos caminhos do Talk Shows. Chupando com maestria a estrutura do David Letterman Show, da NBC, Jô e seu amigo de longa data, Max Nunes, criaram o Jô Soares Onze e Meia (que quase nunca começava realmente nesse horário). O programa foi formador de opnião durante muito tempo. Foram cerca de 7000 entrevistas, de 1988 a 1999, quando o gordo voltou para a Globo.

Sem dúvida, apesar da estrutura e da verba muito menores, a fase “Onze e Meia” é considerada a melhor. As entrevistas eram mais autênticas, o humor de Jô ainda era novidade e havia mais liberdade nos assuntos tratados e na escolha dos convidados.  Foram tantas entrevistas e tantos momentos hilários que não caberiam em mil posts. Na minha memória estão gravadas as participações de Inri Cristo, O Jaspion do Circo, Van Damme, Quico/Carlos Villagrán e Nelson Machado, seu dublador no Brasil, Legião Urbana, etc. Alguns mais que não eram famosos, como o Tangos e Tragédias (os honrados cidadãos da Esbórnia que cantava A Verdadeira Maionese), Be & Thoven (um deles não tinha uma mão e ficava com a manga no bolso), Rogério Skylab (matador de passarinho) e Pedro Haidar, humorista que fez fama no final dos anos 80 e durante os anos 90, com seus textos enviados em forma de fax para o Jô. Paremos por aqui para que o texto não se transforme numa biografia não autorizada de 300 páginas. Vejam vocês mesmos alguns dos trechos de entrevistas do Jô Soares Onze e Meia e dos programas anteriores:

 

Lembra da entrevista do Quico/Carlos Villagrán (e da rápida participação de Nelson Machado, seu dublador?!

 

O que dizer então dos ótimos cidadãos esbornienses do Tangos e Tragédias?!

 

E dos fax enviados por Pedro Haidar, que anda meio sumido?!

 

E, finalmente, Capitão Gay e Carlos Sueli, no Viva o Gordo:

 

 

É por essas e outras que Jô Soares, apesar de não conseguir mais o mesmo resultado atualmente, continua figurando aqui, no Mitos da Comédia, do Cumêcamão!

QUARTA CRÔNICA – COISAS QUE EU ODEIO/ADORO: A POLÍTICA

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Isso mesmo, você leu bem. A política está para mim assim como George Lucas está para os nerds. É uma relação estranha, de amor e ódio. Comecemos do princípio e no princípio eram as trevas. À exceção de algumas tardias pílulas de consciência cidadã vindas dos professores de história, não tive uma educação política decente na escola. A primeira vez que me vi envolvido com isso foi no impeachment de Collor, em 1992. O tema da época era a ética. Cheguei a criar, no auge dos meus doze anos, um jogo de tabuleiro, que fiz com cartolina e canetinhas coloridas, onde o jogador poderia seguir por dois caminhos, o da ética e o da corrupção. O caminho da ética era longo e tortuoso, mas limpo. Dependendo dos dados, o jogador chegaria ao final com certa demora. O da corrupção era uma linha reta, curtíssima, mas cheio de obstáculos, incluindo polícia e cadeia. O jogador chegaria mais rápido ao final, mas correria um grande risco e dependeria da sorte.

Já em 1993, quando houve o plebiscito sobre o regime de governo no Brasil, me envolvi mais. Monarquia versus República, Presidencialismo versus Parlamentarismo. Eu era a favor da República Parlamentarista e tinha ótimos argumentos, à época. Nenhum deles, no entanto, era realmente meu. Eu havia sido influenciado diretamente pela professora de história, que era claramente a favor do parlamentarismo.

Antes disso, me lembro de passear de carro com minha tia no dia da eleição de Collor, antes de sabermos o resultado. Para todo mundo que passava faziamos um “L” com o dedão e o indicador, mostrando que eramos Lula-lá. Eu achava tudo uma farra, não entendia o que aquilo queria dizer. Mas Lula, o barbudo, perdeu de Collor, o caçador de marajás, muito devido a um famoso debate na Globo, editado com a intenção de favorecer o alagoano. Uma análise mais criteriosa facilmente faria perceber que Lula não tinha capacidade intelectual de “ganhar” um debate com o Fernandinho, e isso não é preconceito não. É questão de formação mesmo, vários interlocutores já fizeram pegadinhas intelectuais com Lula e ele – um excelente orador, líder em essencia – sempre caiu. Enfim, não era preciso editar o debate. Mas editaram.

Depois – e por causa disso – passei a uma fase petista-adolescente que inocentemente durou até a fase adulta. Cheguei a me filiar ao partido, com carteirinha e tudo. Trabalhei na primeira eleição de Lula. Foi quando me distanciei. Não, eu não havia adquirido consciência, nem descoberto qualquer falcatrua (muito embora a forma de pagamento dos ajudantes não fosse acima de qualquer suspeita). Mas meio que me desencantei com a coisa. Depois vieram as coligações perigosas, as mudanças de pensamento que fizeram as antigas lutas parecerem incoerentes, e, finalmente, o escândalo do mensalão, em 2005. Alí caía por terra aquela antiga crença, muito apregoada por um professor meu no Cursinho da Poli, de que petismo era sinônimo de honestidade. Na verdade, nunca foi. A bandeira do partido era essa, a criação dele foi baseada nessa luta de liberdade e ética, por sindicalistas e intelectuais. Mas a natureza humana é facilmente corrompida e não é uma estrela e uma sigla que vão transformar isso. A ética está em cada um, não numa bandeira vermelha. Nenhum partido está a salvo de oportunistas. Há sempre um Anakin caindo nas graças do lado negro da força.

Esse período de decepção política ainda dura um pouco comigo. Eu, que vivia o eco já fraco dos intelectuais perseguidos pela ditadura, entrava no século XXI, finalmente. Para muitos, o PSOL da Heloísa “babado branco” Helena, preencheu essa lacuna ética, mas não mais para mim. Minha consciência política já consegue observar de fora e perceber que só indignação com as desigualdades não resolve. Tem de haver planejamento, formação em políticas públicas, capacidade de gerir e clareza na administração e na separação do público e do privado (e isso não pode ficar só no marketing). É difícil recomendar um candidato com esses atributos hoje e, mesmo que houvesse, eu nem poderia fazer isso aqui. Assim como eu fui extremamente influenciável durante tanto tempo, ainda há muita gente nessa condição. O importante é você pensar criticamente e chegar a uma opnião própria do que é importante para você, para a cidade, para a sociedade. Você pode odiar George Lucas por muitas coisas, mas não pode negar sua influencia no cinema de entreteninemento. Domingo tem fila eleição e pense bem nisso tudo antes de votar. Ou você vai viver uma relação só de ódio com a política por mais alguns anos. Saque seu sabre de luz contra o Império e que a força esteja com você!

 

PS (Piada Star Wars): Maluf, e Naboo nada, não vai dinha?!